terça-feira, abril 10, 2007

Porto da minha infância


Hoje lembrei-me das correrias tresloucadas que eu, o Miranda e o Ricardo fazíamos a caminho da escola, a subir ou a descer Fernandes Tomás, por vezes atravessando-a sem parar nem olhar. Lembrei-me da cambalhota nada firme do Júlio a descer a Rua Firmeza durante mais uma das nossas corridas.
Hoje lembrei-me dos lanches com molho de francesinha (ideia minha esta do molho) da Confeitaria Belo Mundo, seguidos das bolachas Oreo a 20 escudos na Casa Cerdeira, em St. Catarina. Lembrei-me também das idas ao Roma Megastore para sabermos das novidades da música (Um bichinho de hoje que começava aqui. ´Americana´ dos Offspring é um dos albuns que me vem á memória como um dos mais ouvidos.) e dos videojogos, e ainda daquela tarde de cinema no antiguinho Batalha, onde ocupámos alguns lugares da última fila. Á nossa frente fazia-nos companhia uma plateia cheia de cadeiras vazias. O filme era ´Ronin´, com Robert De Niro a fazer parte de um elenco de luxo.
Lembrei-me ainda das subidas matreiras ao 14º andar do Via Catarina para observarmos a cidade e das futeboladas de fim de tarde que eu fazia com o Jorge em plena Avenida dos Aliados, enquanto esperava pela minha mãe, vinda do trabalho. Futeboladas essas que na maior parte das vezes eram presenciadas por um único adepto, de seu nome Almeida Garrett.
Hoje vi o ´Porto da minha infância´ de Manuel de Oliveira e lembrei-me de alguns momentos do meu. Que vou recordar sempre. Porque a nossa vida também é feita de memórias.

7 comentários:

cdsousa disse...

Ao Porto da minha infância chamavam-lhe "Porto pequenino". E não era mais do que uma velha ponte sobre uma ribeira que ligava um caminho, (agora estrada já alcatroada) entre a estação e a povoação. E agora vais-me desculpar José, mas para mim esse porto tinha mais encanto. Porto esse que hás-de conhecer em breve.
Mas conheço outra pessoa cujo Porto da sua infância era o genuíno. O Porto dos bons e dos maus momentos, o Porto à beira rio. O porto das míticas cheias, do incêncio da alfândega, dos saltos para o rio, das romarias, das barraquinhas do peixe e artesanato. O porto das sardinhas doces do Sr. António, do licor de banana com águas c/ gás que bebia domingo de manhã na praça do cubo. O porto de tantas coisas que já não são, umas saudosas outras não.
Sim! Conheces essa pessoa e um dia vamos descobrir o Porto que era dela.

hertista disse...

Desculpem-me a intrumissão :))
Mas a mim já me chegou o odor alegre de um local que não conheci assim!
Obrigado pelas vossas descrições felizes!
:)**
P.S.: J.E, não me esqueci de ti! Só não tenho andado com muito tempo para o PC! Por falar nisso... já passa da meia noite!

João Miranda disse...

Este post nao podia deixar de ser comentado.
Todas estas lembranças me vêm a memória assiduamente. Uma correcção: quem deu a cambalhota na Rua Firmeza fui eu, mas foi uma cambalhota tão bem dada que pareceu que tinha sido treinada. Pelo menos é assim que eu me lembro dela. Lembro-me de fugir-mos do Franklim até ao Pires de Lima com os famosos gelados Happy 5 nas mãos (quem sabe roubados da geleira do não menos famoso Coelhinho), que constituidos por 5 camadas de várias cores, quatro delas chegaram derretidas nas mãos e braços. Também me lembro dessas subidas ao 14º andar do Via Catarina, nem sempre para observar a cidade, e das corridas que faziamos pelas escadas a ver quem chegava primeiro cá abaixo. Lembro-me de subir ás arvores da Avenida Camilo Castelo Branco para encher os bolsos de ameixas (por mais azedas que fossem) ou então atirar pedras ao castanheiro que ainda hoje existe num dos cruzamentos da Rua Fernando Tomas na esperança que pelo menos uma castanha caísse.
Lembro-me das idas ao cinema, não só ao Batalha, como ao da Trindade e ao Central.
Enfim, estas e outras memórias fazem parte do Porto da minha infância. Obrigado por me fazeres recordar.

the girl in the other room disse...

Vivo na conviccao de que movemos o futuro à custa das memorias saborosas:)

Bonita esta confissão*

Li disse...

Tal como te tinha prometido...aqui vai:

Escola Primária de Cepões,12 de Maio de 1994


Redacção
A minha aldeia e eu

A minha aldeia chama-se Cepões é a das mais pequenas de Ponte de Lima mas eu não me importo porque a minha avó diz que cabemos todos.
A minha aldeia é muito bonita,tem rio,tem campo,tem montanha tudo misturado.
Na minha aldeia moram quase 500 pessoas.
Eu moro perto da capela de São Pedro e no Verão fazem sempre uma festa,com musica e procissão e eu divirto-me muito.
Tenho três vizinhos,os Lima,a minha avó e o tio "Neu da Bina",são todos simpáticos comigo,mas o tio "Neu" zanga-se comigo porque eu piso-lhe a horta quando estou a jogar à bola com a Rita,mas há vezes em que também lhe roubamos cerejas sem ele ver.
A Rita é minha vizinha e mais nova que eu um ano,somos muito amigas.Eu e ela andamos a ensinar a avó dela a escrever o nome,mas ela treme um bocado das mãos.
Na minha aldeia as pessoas trabalham quase todas no campo,têm vacas,ovelas,porcos e galinhas,eu não tenho nada porque os meus pais trabalham e não têm tempo.Tenho um cão chamado Preto e também brinco muito com ele.Ele chama-se preto porque tem o pêlo muito escuro.
A minha aldeia também tem monumentos,como a Igreja Romana e o dolmen no lugar da Aldeia.
Eu gosto muito de morar na minha aldeia,para mim é a melhor do mundo.

P.S : Zé tens consciência que acabei com a minha reputação!!!lol,mas obrigado por me teres feito lembrar todas estas coisas...

PCS disse...

Felizmente tive a oportunidade de assistir à estreia do filme no rivoli. Nessa noite fazia anos e achei o filme fantástico! Ainda guardo o texto que me entregaram na entrada, um texto muito feliz. No dia seguinte foi o 11 de Setembro, menos feliz!

FelliniuM disse...

O Porto da minha infância é cinzento, do coração da cidade sempre respirei a antiguidade da velha sé do porto.
O Amanhecer era mais saboroso pela brisa do rio que entrava janela dentro... E as gaivotas?! Gritavam para todos os bons dias mal brilhava o sol. Ainda me lembro como era sair da porta despedir-me das vizinhas que tão cedo comecavam a sua lida... um "até logo" e uma correria até à escola primária.
Como era bonita a sé da minha infância quando se pintava com cores de s. João... o fim da tarde tosco pelo fumo das sardinhas e o perfume aromatizado que deixava noite dentro. Os materlinhos e o seu barulho insuportável, que só neste dia específico era capaz de arrancar sorrisos. A noite brilhava mais intensamente pelos balões no ar e pelo bailarico que entretanto já tinha arrastado as comadres para bem perto.
E era assim o porto da minha infância. Não é o mesmo?! Não sei... também eu não sou a mesma. Todos mudamos com o passar dos anos. No entanto, dá-nos todos os dias uma das imagens mais lindas que já vi, o nosso Porto continua a nascer no nosso Douro e a adormecer no seu reflexo nocturno.