quarta-feira, outubro 04, 2006

Passeio Alegre


Chegaram tarde à minha vida
as palmeiras. Em Marraquexe vi uma
que Ulisses teria comparado
a Nausicaa, mas só
no jardim do Passeio Alegre
começei a amá-las. São altas
como os marinheiros de Homero.
Diante do mar desafiam os ventos
vindos do norte e do sul,
do leste e do oeste,
para as dobrar pela cintura.
Invulneráveis - assim nuas.
Eugénio de Andrade

2 comentários:

Anónimo disse...

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Adeus - Eugenio de Andrade

elsia =) disse...

Gosto muito de Eugénio de Andrade =)

Uma vez, pela altura do Dia da Mãe, a minha professora de português deu-nos uma ideia pa uma lembrança que iria marcar no calendário um dia tão importante como o da pessoa que nos trouxe ao mundo =)

Eis a ideia: oferecer de presente um postal com um poema que Eugénio de Andrade tinha precisamente dedicado à sua mãe. Eis o que fiz: juntei umas fotos antigas minhas com a minha irmã, fiz uma montagem com elas, colei-as numa cartolina e junto a elas escrevi o tal poema... se queriam ver uma mãe badada de olhos brilhantes, era a minha mãe agarrada a nós com um nozito na garganta.. ;)

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